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BOA AÇÃO
Projeto Lunaya roda o mundo a bordo de uma perua Citroën
Francês quer percorrer mais de 40 países entrevistando crianças de diversas culturas
por THAIS VILLAÇA

Citroën DS Break Projeto Lunaya - foto Divulgação
Em São Paulo, Boileau posa com o DS em frente ao Monumento às Bandeiras

A bordo de um antigo Citroën DS Break (perua), o designer francês Manuel Boileau, 36 anos, começou sua aventura mundo afora para fazer um trabalho muito interessante com crianças de diferentes culturas. Ele saiu da França no dia 28 de maio de 2005 e até agora já percorreu 36 países e cerca de 70 mil quilômetros. Faltam ainda mais cinco nações para que ele retorne à França, com previsão de chegada em fevereiro de 2008. Essa viagem de quase três anos faz parte do projeto Lunaya, trabalho voluntário que conta com o apoio da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), cujo objetivo é entrevistar crianças sobre o que pretendem ser no futuro e quais são seus sonhos. Com esse material, a idéia é montar um DVD pedagógico de suporte para as crianças francesas e um livreto explicando sobre a cultura do país de cada criança.


Citroën DS Break Projeto Lunaya - foto Divulgação
Mãos enfeitam o capô, que será leiloado com a renda revertida para a Unicef

Também em cada país, Boileau escolhe uma das crianças entrevistadas, geralmente a mais nova, para imprimir sua mãozinha com tinta no capô do carro. Ao final da jornada, o capô será leiloado em Paris com renda revertida para a Unicef. Entretanto, não houve apoio financeiro da instituição para o projeto. Quase todo o custo da viagem, estimado em US$ 30 mil (entre gastos com gasolina, pedágios e alimentação) será pago pelo próprio francês. Algumas empresas ajudaram com equipamentos, peças para o carro e divulgação da empreitada.

Citroën DS Break Projeto Lunaya - foto Thais Villaça
O carro foi adaptado para que Boileau pudesse descansar e trabalhar a bordo

Como sempre foi apaixonado pelo DS, Boileau comprou uma antiga ambulância do modelo que já havia rodado 600 mil quilômetros e fez as adaptações necessárias, que duraram cerca de 3 meses, para que pudesse dormir, comer e até mesmo fazer sua higiene pessoal dentro do veículo. Outro fator que contou a favor da perua foi sua mecânica simples, sem eletrônica ou injeção. "Trago comigo algumas peças de reposição e faço eu mesmo eventuais consertos. Só recorro a oficinas quando preciso de conhecimentos específicos ou ferramentas que não tenho no carro", explica. As concessionárias da marca também dão atenção especial ao viajante. Mesmo assim, o DS tem se mostrado bastante valente, já que nem os pneus furaram até agora, pois graças à suspensão oleopneumática, a pressão nos componentes é menor que o normal.


Citroën DS Break Projeto Lunaya - foto Thais Villaça
Na parte traseira foram adaptados uma cama-sofá, minifogão e geladeira

Para ter espaço suficiente para descansar e trabalhar, a parte da frente, onde está a direção, foi reduzida. "Mas eu me acostumei a dirigir com os braços dobrados" conta o francês com bom humor. Foram instalados no veículo ainda um minifogão e uma geladeirinha para que ele pudesse conservar e cozinhar sua própria comida. Para dormir, um sofá dobrável, que ele não desdobra à noite por preguiça - "Prefiro deitar na diagonal", diz – serve de cama. Também tem sofrido bastante na hora do banho, já que nem todos os países possuem banheiros públicos ou locais apropriados para a higienização. Muitas vezes, ele esquentou água no fogão e limpou-se apenas com uma esponja dentro do carro mesmo. Além disso, uma das maiores preocupações nos locais por onde passou foi encontrar um lugar seguro para dormir. Por isso, dormiu em jardins de pessoas que conheceu em determinados países ou em pátios de delegacias, como na Romênia e na Colômbia.


Citroën DS Break Projeto Lunaya - foto Thais Villaça
Nem o espaço superapertado para dirigir o DS tiram o bom humor do francês

Uma curiosidade é que o francês não usa aparelhos de navegação por GPS (sistema de posicionamento global) ou telefone celular por satélite. "Prefiro os bons e velhos mapas de papel, que são mais fáceis de encontrar. Quando acho que estou perdido, pergunto o caminho às pessoas. É uma outra maneira de entrar em contato com a população local, qualquer que seja o idioma. É claro que às vezes isso cria situações engraçadas." Mas não foi nada engraçado o que Boileau passou em São Paulo nesta semana. Graças à nossa não muito confiável gasolina, o carro simplesmente parou de funcionar em uma grande avenida, e ele teve de empurrar o DS sozinho para que o motor voltasse a funcionar. "Gasolina de qualidade é no Irã. E lá custa menos que água!", conta.


Citroën DS Break Projeto Lunaya - foto Thais Villaça
Mesmo beirando os 700 mil km rodados, o carro quase não deu problemas

Durante o percurso, Boileau passou por várias dificuldades, como um assalto no Peru, em que seus equipamentos eletrônicos como máquina fotográfica e computador foram roubados e seu carro foi apedrejado, uma batida no México que destruiu os tanques de combustível reserva e o suporte esterno do estepe enquanto ele dormia, além de diversas panes mecânicas. Mas nada muito grave que pudesse estragar a experiência. Isso porque Boileau teve a oportunidade de observar as mais diferentes paisagens pela janela do DS, como desertos, geleiras, castelos, rios, praias, pirâmides e obras de arquitetura moderna, por exemplo. "Mas era complicado gerenciar os climas. Nos EUA, peguei sol e neve no mesmo dia. Como o espaço no carro é reduzido, fica difícil trocar de roupa." Por esse trabalho único e especial, Interpress Motor só pode desejar a Boileau: bonne chance (boa sorte)!

Publicado em 24/10/2007

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